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Agosto lilás permanente

August 31, 2020

 

Os dados sobre mortes violentas no Brasil revelam que, embora os homens sejam os que mais se envolvam nessas situações, a casa continua sendo o lugar mais perigoso para as mulheres. Para elas, a ameaça não vem de fora, mas dorme ao lado.

 

Para alertar sobre a violência contra a mulher, foi criada a campanha “Agosto Lilás”. O objetivo é fazer com que as mulheres consigam identificar comportamentos abusivos antes do relacionamento.

 

Uma das figuras mais emblemáticas de combate à violência contra a mulher é a Maria da Penha, que deu origem à Lei nº 11.340. Resultado de discussões sociais, a legislação daria fomento para que fosse criada, mais tarde, a Lei do Feminicídio, que prevê penas mais rígidas para homicídios cometidos contra mulheres por razões de gênero.

 

Em 2019, por exemplo, os dados do Núcleo de Estudos da Violência, da Universidade de São Paulo, e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que houve uma alta de 12% nos feminicídios em relação a 2018.

 

Somente no Estado do Amapá, o crescimento de feminicídios, entre um ano e outro, foi de 36,4%.

 

Mas por que os homens matam?

 

Resultado de um processo histórico, a violência masculina começa desde cedo, com a criação dos filhos. Enquanto para as meninas são reservados brinquedos que priorizam o cuidado, como casinhas e bonecas, para os meninos são ofertadas espadas, carros de corrida, hominhos de luta e uma série de outros jogos que colocam os meninos em posição de poder.

 

Além disso, a divisão dos papéis de gênero, em casa, costuma fazer com que as mulheres sejam vistas como as únicas responsáveis pelo cuidado doméstico, mesmo com a conquista de espaço no mercado de trabalho.

 

Somado a isso, está um senso de masculinidade deturbado. Afinal, muitos meninos crescem sem saber lidar com as próprias emoções. Eles escutam, ainda na infância, que não podem chorar, que brigar é uma solução, que tal coisa “é de mulherzinha” e que “é preciso ser homem”.

 

Por outro lado, há um estímulo para que as meninas aprendam que certos comportamentos, mesmo violentos, são expressões de amor. Por exemplo, quando um colega puxa o cabelo ou quando a perturba demais. E não, tais situações expressam desrespeito ao outro (e nada de amor).

 

Em relacionamentos adultos, como os homens se descontrolam?

 

Considerando todos os fatores mencionados e uma criação religiosa e cultural, que pode contribuir para a manutenção de estereótipos de papéis de gênero, os homens carregam consigo essas vivências violentas.

 

Na vida adulta, por exemplo, os homens terão dificuldade em lidar com situações que o tirem do controle. É nesse momento que os ciúmes se manifestam e, consequentemente, surge o abuso.

 

No começo, a violência sútil. Apresenta a justificativa de que “eu faço isso para o seu próprio bem”. Assim, impede a companheira de sair com os amigos, de ter contato com familiares, de vestir determinadas roupas, de frequentar determinados locais.

 

Aos poucos, o homem agressor ultrapassa os limites. Se antes ele sugeria tal coisa, agora ele impõe. A figura da mulher passa a se mesclar com a do homem. Então, não sobra mais espaço para a individualidade, pois tudo precisa da aprovação do outro.

 

A partir daí, a violência física se manifesta, porque a companheira já está vulnerável.

 

É possível sair de um ciclo de violência?

 

Sim. No entanto, a mulher precisa contar com uma rede de apoio, composta por familiares, amigos e instituições públicas. Por isso, caso presencie uma situação de violência, a indicação é ligar, imediatamente, para o 190.

 

Se precisa denunciar uma violência que é recorrente, a solução é entrar em contato com à Central de Atendimento à Mulher, no 180.

 

E você, é capaz de meter a colher? Deixe a sua opinião nos comentários. Aproveite, também, para nos contatar.

 

 

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